domingo, 27 de dezembro de 2009

A eternidade é toda nossa

Pedro acordou assustado. Teve um sonho estranho, mas não conseguia se lembrar, era um sonho com Antônia sua falecida esposa, queria se lembrar, mas não conseguia, levantou-se rápido caminhou até a varanda acendeu um cigarro e ficou olhando o amanhecer. Olhou as pessoas indo trabalhar, os carros andando. Sentiu um aperto no peito uma aflição, uma angústia... Não sabia o porquê... Olhou a foto de sua mulher sentiu-se feliz tinha se casado com a mulher que sempre amou, beijou-a com carinho falou que à amava foi no quarto dos filhos, ficou obeservando. Eles já não moravam mais lá. Tinham se casado a tempos, ficou olhando as fotos nos porta retratos viu que tinha filhos lindos se emocionou em ver que tinha feito um bom trabalho, que foi um bom pai.
Saiu para trabalhar resolveu ir a pé, morava tão perto do escritório e nunca foi andando. Foi caminhando devagar pelo calçadão, parou num quiosque para beber um suco, ficou olhando o mar resolveu molhar os pés na água salgada, todos olhavam curiosos um Sr. de sessenta anos de gravata entrando no mar era no minimo curioso, mas ele não se importou, na verdade ele nem notou que tava sendo observado, estava tão intertido nas sensações, que nem teria como notar.
Chegou no trabalho bem atrasado, todos estranharam!! Pedro em quarenta anos trabalhando nesse escritório nunca se atrasou mas ninguém ousou falar nada. Entrou na sua sala e sentou-se na sua cadeira, assim que sentou sentiu uma dor forte no peito estava tendo um ataque cardiaco sentiu uma dor imensa que parecia que seu coração ia explodir pensou na morte e isso o assustava, a morte levou quase todos que ele amava. A dor diminuiu um pouco , mas ele sabia que voltaria logo, estava morrendo tinha essa certeza, olhou o porta retrato com uma fotografia de sua familia, sentiu se melhor e lembrou-se do sonho com Antônia, sentiu que tinha cumprido sua missão encostou-se na poltrona e disse:
- A eternidade é toda nossa...
E então fechou os olhos e dormiu...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Um novo dia vem ai

"Strain, living with a name. They get the best of me. But I don´t walk away I don't complain I got much to gain. So they keep testing me. And I keep feeding their face..." Kings of Leon toca no volume máximo, meu carro também já está quase nesse nivel ! O pedal já está no chão, o velocímetro marca cento e vinte a adrenalina corre a mil. As gotas de chuva caem como se fossem pedras no parabrisa, as luzes do letreiros passam como vultos coloridos. Entro numa curva mais fechada ouço o barulho dos pneus cantando, são quatro e vinte da madrugada me sinto vivo testando o limite da vida, o medo de morrer traz essa sensação é como se fosse uma droga. Pode parecer um pouco estranho tenho que concordar... Suicida ? não, com certeza não ! Quero viver! O problema é que ultimamente não tenho vivido, na verdade eu tenho é sobrevivido ....Morbidez ? vida vazia ? Solidão ? Talvez... Somos uma geração de solitários que se escondem das relações.
Continuo dirigindo meu pensamento vai longe e de longe eu vejo o semáforo ficar no laranja, não vou conseguir passar a tempo frear também não dá, se algum dia você estiver a cento e quarenta por hora numa pista escorregadia com chuva, lhe dou um conselho não tente freiar bruscamente! O semáforo ficou no vermelho o jeito foi fechar os olhos e deixar o carro passar "... It's my show I must go With my soul..." Kings of leon continua tocando, foi por pouco ainda bem que ninguém passou por aquele cruzamento. Diminuo a velocidade, já tive a minha dose dessa droga por hoje!
Permaneço dirigindo bem devagar sem um destino certo, a chuva passou, Na porta da Boate vejo umas prostitutas me dando sinal, penso até em parar, uma transa até que iria cair bem mas não era de sexo que eu precisava e sim de paz de espírito, chego na orla o céu já está clareando, daqui a pouco o Sol nasce. Estaciono o carro, tiro meus sapatos folgo minha gravata dobro a calça sento na areia acendo um cigarro e vejo o Sol nascer. Um novo dia vem ai, quem sabe uma nova vida ?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Escolhas

Acho incrível como pequenas ações podem para sempre mudar ou influênciar nossas vidas.
Desde o momento em quê acordamos somos submetidos a fazer escolhas. "Levanto agora ou durmo mais quinze minutos?"
Parece ser uma decisão simples, insignificante, mas selecionar umas dessas opções pode ser sua salvação ou então a sua morte. Você pode conhecer o grande amor de sua vida ou ficar só para sempre... Tudo isso depende de escolhas. Digamos que eu resolva dormir mais quinze minutos. Ao invés de levantar às seis eu me levanto às seis e quinze, sigo a minha rotina de todas as manhãs, faço minha higiene e me arrumo, penso se tomo café ou faço um lanche quando chegar na faculdade pra compensar os quinze minutos de atraso. Resolvo tomar café em casa mesmo e saio. Chego no ponto de ônibus quinze minutos mais tarde do que o normal, espero até o coletivo chegar enquanto isso vou tomando varias outras decisões: Se eu pego dois transportes, pois estou atrasado, ou se espero o que vai direto e me arrisco a não chegar a tempo, se me sento no banco ou fico de pé, se vou andando pra outro ponto que tem mais opções...
Enfim eu entro no ônibus que vai direto. No caminho eu passo pelo outro ônibus, o que eu deveria ter pego se eu não tivesse dormido um pouco a mais, ele tinha acabado de se envolver num acidente grave eu poderia estar nesse coletivo, poderia ter acontecido algo de grave comigo se eu não resolvesse dormir quinze minutos a mais ou então se eu saisse sem tomar café. Uma pequena decisão de dormir mais um pouco e tomar café em casa pode ter salvado a minha vida!
Ainda continuando, Digamos que, por causa desses quinze minutos eu chegue atrasado na faculdade, perco a prova ! E já era a prova final (que merda!!!) perco a disciplina. Talvez se eu tivesse escolhido ir andando pra outro ponto que tinha mais opções ou pegasse dois ônibus eu chegaria a tempo pra fazer a prova. Por causa desses quinze minutos de soneca ou por eu não ter ido pro outro ponto, ou por não ter pegados os dois coletivos eu vou ter que fazer essa disciplina novamente. No outro semestre na hora da matrícula eu tenho que decidir se repito agora a matéria ou se deixo pra depois. Escolhi repetir logo. Conheci "Fulana" que pegava essa disciplina também. Talvez se eu não tivesse dormido quinze minutos a mais, não ter tomado café em casa, se eu não esperasse o ônibus que vai direto e chegasse atrasado, perdesse a prova, perdesse essa disciplina, Se eu não tivesse escolhido repetir logo essa matéria Talvez eu não conhecesse "Fulana" não me casaria com ela, não teria filhos...
Tudo isso por causa de simples escolhas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Encontros e desencontros

Estação de metrô Ueno, eu estava fascinado. Tudo era muito novo, estava em Tóquio à pouco tempo, as luzes, as cores, os letreiros, aquele mar de gente, tudo era fantástico! Eu fotografava tudo! Nada passava despercebido às minhas lentes. E ao ve-la não seria diferente.
Um metrô se aproximava, é a linha Tozai que liga Nakano até Nishi-Funabashi, também conhecida com a linha azul, preparei minha câmera e comecei a fotografar escolhi alguns ângulos e fiz fotos interessantes, comecei a capturar os rosto das pessoas que iam e vinha, entravam e saiam dos vagões eram todos tão iguais todos com a mesma face alguns alegres outros tristes, rostos cansadas, olhos puxados cabelos coloridos, cabelos pretos, jovens, velhos... Então minha câmera encontrou-a me observando. Parei de fotografar abaixei a minha Nikon, ficamos nos olhando, eu do lado de fora e ela dentro do vagão, uma janela nos separava, eu fiquei apaixonado ! Tudo parou eu não enxergava mais nada além dela na minha frente, no meio de tantas pessoas aparentemente iguais ela era tão diferente! seus olhos me cativavam . Ela era linda! Sorriu para mim eu não tinha certeza se era realmente pra mim mas mesmo assim sorri de volta, peguei minha câmera e fiz o seu retrato, logo depois ela acenou dando tchau, o metrô começou a se mover fui em direção ao vagão corri ao lado da porta batendo com força pra que elas se abrissem, o que eu sabia ser impossível, mas eu tinha que tentar, as portas não se abriam, o metrô ficava cada vez mais rápido logo eu não iria mais conseguir acompanhar. Ela ficava me olhando torcendo pra que acontecesse algo, meus músculos entraram em fadiga... Parei de correr, o metrô continuou... Ainda pude ver seus pequenos olhos me fitando pela janela. Tudo que me restou foi um retrato de um rosto tão igual e ao mesmo tempo tão diferente entre trinta e cinco milhões de outros rostos em Tóquio.

terça-feira, 29 de setembro de 2009


Amo quando eu chego e ela abre um sorriso,

riso infantil.

Amo quando ela estica seus braços pra mim,

e se joga no meu colo.

Amo quando ela me olha nos olhos,

aqueles olhos tão cheios de vida.

Amo sentir seu cheiro,

aquele cheiro que só ela tem.

Amo sentir suas mãozinhas tateando meu rosto,

mãos tão pequenas, tão macias...

Amo quando ela diz:

-lhááá lhá lhá iiiuooooaaal iiiuuu iuu !!!

E eu te respondo:

- O papai também te ama muito filha...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Destino

- A primeira mulher que me der bola ai dentro eu me caso !!
- Como assim Otávio ? Você ta louco é ?
- Estou falando a verdade cara, a primeira mulher que sorrir pra mim eu me jogo e caso com ela!
- Cara você não precisa disso! E se for uma feiosa?
- Não importa, na verdade importa um pouco, bom reformulando, a primeira que me de ousadia e não for medonha eu me caso. Ahh tem que ser um pouco inteligente, mulher burra ninguém merece.
- Pra que isso Otávio ?
- Preciso esquecer a Ruth, e só com um novo amor vou conseguir esquece-la!
- Cara larga de loucura! e vamos entrar logo nessa festa!
- É serio João, a primeira que sorrir para mim vai ser a mulher de minha vida !!
Otávio entrou na festa , e assim que entrou, adivinhe com que deu de cara ? Com Ruth sorrindo com a ironia do destino, ela também estava tentando esquecer Otávio e tinha jurado cinco minutos antes para as amigas, que o primeiro homem que entrasse por aquela porta ela se casaria !!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O meu e o seu

- Oi Vânia, é o Lucas.
- Pode subir Lucas, está aberto.
Subi pensativo, fiquei um pouco nervoso com a situação. Não via Vânia desde nossa separação, e agora eu estava subindo no nosso antigo apartamento pra pegar o que sobrou de nós.
- Oi. Como vai Vânia ?
- Vou bem e você ?
- também...
Observo o apartamento, agora já ficando vazio, ela vai morar na França, algumas memórias voltam a minha mente, lembranças boas, de um tempo que não volta mais.
- Olha Lucas eu já separei as suas coisas, estão ali naquelas caixas.
Comecei e remexer nas caixas ver se faltava alguma coisa.
- Está tudo meu aqui? Tudo certinho?
- Sim, se você quiser pode olhar nas minhas caixas se não tem algo seu.
- Não é necessário.
- Faço questão que você olhe
- tudo bem
Não quis provocar um nova briga e fui olhar as coisas dela.
- Ei ! Esse DVD de Chico é meu !!
- Nada disso Lucas !! Eu ganhei esse DVD
- Como você ganhou ? Tenho certeza que esse Chico é meu, lembro exatamente o dia que comprei, comprei na Saraiva, nesse mesmo dia também comprei uns livros. Tenho certeza !!
- Lucas !! Esse Chico eu ganhei tenho certeza já basta o que você fez comigo ainda quer me levar a porra de um DVD. Seu egoísta !!
- Está certo Vânia! Tudo bem ! Não faço questão, pode ficar eu compro outro depois, mas que era meu eu tenho certeza !
-Esse Chico é meu !! Tenho certeza que eu ganhei !
- Ganhou de quem ?
- Não sei !!! Só sei que Ganhei, aqui merda tem até uma dedicatória, vou ler pra você " Vâninha, quando vi esse DVD só me lembrei de você, me lembrei do quanto você gosta de Chico, espero que possamos assistir ele juntos pelo resto de nossas vidas... Com amor Lucas"
Ficamos calados, fui até a varanda acendi um cigarro pra ganhar tempo e tentar disfarçar as lágrimas. Voltei para sala, Vânia estava sentada no sofá, peguei as minhas caixas me despedi e fui embora. Ela ficou com Chico.