quarta-feira, 21 de julho de 2010

Vidas em jogo

Estava mais quente que o de costume em Coloma, Califórnia. Estavamos no ano de mil oitocentos e quarenta e nove, em plena corrida do ouro, eu já estava aqui a pouco mais de dois meses. Cheguei aqui como milhares de outras pessoas em busca de uma vida melhor. Mas não consegui nada além de algumas pepitas, que trocando por dinheiro não cobre nem metade das despesas. Escuto batidas na porta, deve ser a Sra. Norman cobrando o aluguel.
- John ! Eu sei que vc está ai ! abra essa porta John! Eu quero meu dinheiro hoje, ou vou lhe despejar!
Eu sempre fingia que não estava e pulava a janela dos fundos, aprendi que o melhor a fazer nessa situação era evitar um encontro com ela. No fundo eu sabia que a Sra. Norman não ia me despejar, ela gostava de mim, na verdade gostava do meu pau afinal eu dei um trato na velha que estava solitária desde que seu marido a deixou... Mas estava ficando uma situação insuportável. Eu tinha que arranjar dinhero. Fui andando pela rua dos fundos passei na frente da quitanda e roubei algumas frutas já tinha uma semana que eu só me alimentava de frutas. Entrei no bar  vou me arriscar no poker.
- John ! Querido John! Quanto tempo ! como vai você?
Alicia, uma das prostitutas que comi vem se insinuando, com seu bafo de cachaça misturado com fumaça de cigarro e seu perfume vagabundo, achando que estou com grana como da primeira vez que vim aqui. O lugar esta infestado delas, sempre sugando o dinheiro dos forasteiras desavisados, era uma espelunca, bêbados sujos dormindo nas mesas, ladrões, pistoleiros, prostitutas, uísque vagabundo...
- Nem vem Alicia estou duro
- E que porra você vem fazer aqui então ?
- Não é de sua conta sua piranha.
- Cai fora seu babaca.
Fui na mesa perto do balcão. Frank jogava poker com Willian, Thomas e Jake. Willian era um cara perigoso dizem que já matou dezesseis pessoas com seu revolver Colt e eu quase fui o décimo sétimo por causa de umas pepitas numa mina, fui salvo por um Xerife
-Eu vou entrar - eu disse
-Tem dinheiro ? -perguntou Willian enquanto dava as cartas ele era o diller da vez
-Tenho quinze Dólares
-Isso aqui não é jogo de criança tem que ter colhões!
-Foda-se - respondi e sentei na mesa.
Todos colocaram cinco dólares no pote de apostas. As cartas foram dadas, cada um olhou sua mão e começou as trocas de cartas.
-Frank, vai querer trocar quantas ? - perguntou Willian
- Só uma.
- E você Thomas ? continuou Willian
- quero três.
- Jake ?
- Três também
- John ?
- Duas cartas - respondi
- Eu vou trocar só uma e vamos as apostas - falou Willian.
- Eu aposto mais dois dólares- falou Frank
-Eu estou fora - disse Thomas
-Eu cubro - falou Jake
- John ?
- Eu cubro e ainda aposto mais dois dólares.
- Bom, eu cubro tudo e ainda coloco mais dez dólares.- continuou Willian acendendo um cigarro.
Frank e Jake sairam, só ficamos eu e Willian. Para continuar eu tinha que pagar mais dez dólares. Eu sabia que ele tinha uma mão boa, talvez um "Flush" ou um "Four", mas eu estava confiante.
-Eu só tenho mais seis dólares, mas ponho a disposição a minha cabeça pra você colocar uma bala, sei que você está doido por isso - eu disse enquanto bebia uma dose de uísque. Mas se eu ganhar, além de levar o dinheiro, quem leva um tiro é você.
- Garoto, você bem sabe que eu adoraria lhe encher de balas - Willian falou já tirando seu revolver da cintura e colocando sobre a mesa, todos do bar se aglomeraram ao redor da mesa.
- Garoto você está blefando. Mas pela sua coragem eu vou lhe dá mais uma chance de sair vivo dessa mesa, basta levantar - continuou.
- Eu mantenho minha aposta, e ai vai pagar pra ver?
Willian me olhou nos os olhos na esperança de sentir minha insegurança bebeu mais um dose de uisque deu mais um trago no cigarro.
- Eu saio. Você venceu garoto - disse enquanto mostrava sua mão... Ele tinha uma "trinca", para eu ganhar bastava uma "sequencia"
Como ele não pagou para ver eu não sou obrigado a mostrar minha mão ele nunca vai saber se era blefe. Aluguel e alimentação garantidos por mais um tempo

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