quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Motoboy

São Paulo, mais de 200 mil motoboys circulam na cidade, JP como era conhecido João Pedro era mais só um deles.
- E ai Marilia, tem alguma entrega pra mim ?
- Entra na fila JP.
- Quebra esse galho pra mim meu bem, to precisando fazer grana, to na correria!
- Senta lá com seus colegas e espera que já aparece alguma entrega pra você.
JP sentou ao lado dos colegas, mas não participou da conversa como sempre fizera, estava pensativo a cabeça estava em outro lugar, pensava no filho pequeno, precisava de dinheiro para poder pagar as despesas da criança. Não ajudava Andréa, mãe da criança, já tinha 2 meses.
- JP ! Encomenda lá no centro em 30 minutos consegue chegar? - Perguntou Marilia
- Demorô ! chego lá em 20 minutos passe ai o endereço gata.
O trânsito estava um inferno, mas JP era habilidoso passava voando nos corredores com sua CG, quanto mais entregas ele fizesse, mais dinheiro no fim do dia. No final do túnel tomou uma fechada de um carro quase que foi ao chão, não pensou duas vezes emparelhou do lado do carro e quebrou o retrovisor, saiu em disparada, já estava acostumado a fazer isso ainda se gabava com os amigos de quebrar quatro ou cinco retrovisores por dia.
No fim do expediente, JP e alguns colegas se encontravam em algum boteco, para conversar e beber uma cerveja.
- E ai JP fez quanto hoje ? perguntou Sandro
- Putz mano, hoje tava embassado, só fiz 40 conto e você ?
- Fiz 70 conto truta !
- Então a conta hoje é tua né mano ?
- Ah não fode né JP !!
- Mano, vou lhe dá idéia tô na pior truta, tô ai na correria, mas a grana não ta rolando
- JP vou da uma fita da hora pra você, é o seguinte truta pega uma vela de carro, deixa só na cerâmica coloca na boca depois joga no vidro do carro, não fica nada do vidro truta ! daí é só meter a mão no que tiver dentro do carro.
-Porra Sandro tu ta ligado, que eu não faço essas ondas mano!
-Realmente. Isso é coisa pra homem, seu cuzão !
-Pronto! falou o bicho solto da CG ! fica na tua mano e vamos nessa.
- E ai ? vamo carburar um fininho ?
-Vamo nessa que eu tô na secura.
Sandro e João Pedro, sairam do boteco e foram num pico mais sossegado fumar um baseado. Chegando no pico o assunto continuou.
-JP, falando sério agora mano, vamo fazer um corre truta, tu pilota a moto eu vou na garupa nois vai olhando os carros das madames, e quando parar no farol, é só encostar no lado que eu quebro o vidro e pego a bolsa mano, daí é só nois se sair saindo a milhão truta !
- Passa o bagulho mano! vai fumar todo ?
- E ai vai amarelar ?
-Vamo na moto de quem ?
- Isso ai já ta no adianto mano, já tem uma moto boa na fita com placa fria.
João Pedro ficou pensativo deu duas tragadas fortes no baseado e olhava para o nada. Precisava de dinheiro, mas não era ladrão. Sua família apesar de simples era uma familia de pessoas honestas, pensou no seu filho, não queria que se filho passase a vergonha de ter um pai ladrão.
-E ai mano? não tem erro truta é só ficar ligeiro - insistia sandro.
-Mano, não dá pra mim não.
João Pedro foi para casa, foi dormir. Amanhã começaria tudo outra vez.
Acordou cedo, antes de o Sol nascer como era de costume. Foi até o quarto e deu um beijo em sua mãe e seguiu pra firma queria pegar muitas entregas hoje, precisava de dinheiro. No meio de uma das entregas parou na casa de Andréa, para ver seu filho pegou o bebê no colo que sorriu ao ver o rosto do pai. Ficou muito feliz, era a primeira vez que o moleque sorria para ele. Deixou uma grana, pegou sua moto e foi embora. No caminho, na marginal Pinheiros ,tomou uma fechada de um carro e bateu no fundo de outro. Caiu feio no chão, varias pessoas pararam e foram tentar dar socorro, mas era desnecessário. João Pedro já estava morto.


P.S. Segundo dados da Companhia de Engenharia de trânsito de São Paulo, pelos menos 2 motoboys morrem por dia em acidentes de trânsito.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Seis de junho 1944 , o exército alemão ainda dominava a França, é verdade que estavam enfraquecidos, depois da derrota contra o exército vermelho na batalha de Estalingrado. Mas precisavamos expulsar de vez a sombra do nazismo. Estavamos atravessando o canal da Mancha com destino as praias da Normandia, especificamente a praia de Omaha, era a operação Overload, era o Dia "D".
Eu era Tenente do exército americano responsável por um pelotão de trinta e seis soldados na maioria garotos que não tinha nem idéia do que iriam encontrar pela frente, eu já estava acostumado, participei de muitas batalhas e vim de uma familia com tradição no exército, meu avô foi soldado e o meu pai morreu na 1ª guerra . Estava chegando a hora do desembarque, olhei para os meus soldados e pude ver o medo nos olhos deles, alguns rezavam, pediam proteção, os mais experientes se preparavam, senti remorso por saber que metade deles não sobreviveriam... O Barco Higgins como era conhecido se aproxima da praia e começa a disparar os primeiro tiros contra as barricadas alemãs, eram 2 metralhadoras ponto 30 abrindo fogo, mas o arsenal alemão também estava bem preparado. Logo que desceram as rampas de desembarque dos nossos barcos, recebemos de frente tiros de canhão de 155 mm que era dos franceses capturados pelos nazistas, era catastrófico, cada tiro que eles davam morriam cinco ou seis, perdi grande parte do pelotão só no desembarque. Alguns de nós conseguiamos desembarcar, mas tinhamos ainda que enfrentar os tiros de metralhadora, minas terrestres, os arames farpados...
Estavamos em campo aberto sem nada para nos proteger, os nazistas estavam nas trincheiras em posições estratégicas éramos alvos faceis para os seguidores do Fürer, corri para trás de um desses obstáculos contra veiculos que eles mesmo colocaram, era uma forma de me proteger das balas, atirava sem direção, a confusão era tanta que eu nem sabia onde estava o inimigo , eu via meus soldados terem as pernas decepadas pelas minas, atingidos pelas balas, me sentia inútil vendo eles morrerem, não havia nada que eu pudesse fazer. O Soldado Oliver conseguiu uma boa posição e abria fogo contra os nazistas me dando retaguarda para sair, corri para o lado dele para de lá também poder atirar, consegui acertar dois nazistas que estava numa metralhadora. Nossos homens conseguiam aos poucos avançar, logo na frente o cabo Owen conseguiu tomar uma trincheira ao jogar uma granada, era um local para nos protegermos e de lá poderiamos nos organizar olhei para o lado e reconheci o soldado Kent, tinha pisado numa mina estava com a perna estraçalhada ele agonizava pedindo minha ajuda, eu tinha que tentar salva-lo corri até perto dele e me joguei na areia pra não me tornar um alvo fácil, dava pra ouvir os zunidos das balas passando puxei ele para um lugar seguro , mas além da mina ele tinha sido atingindo por balas ele não resistiu.
Os alemães estavam nos massacrando com suas metralhadoras MG 42, tinhamos que resistir, conseguimos alcançar a trincheira, um alemão ainda agonizava eu fiz questão de executa-lo. Ficamos nessa trincheira, dava pra ver na praia os carros blindados desembarcando, logo os reforços chegariam...