segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Um novo dia vem ai

"Strain, living with a name. They get the best of me. But I don´t walk away I don't complain I got much to gain. So they keep testing me. And I keep feeding their face..." Kings of Leon toca no volume máximo, meu carro também já está quase nesse nivel ! O pedal já está no chão, o velocímetro marca cento e vinte a adrenalina corre a mil. As gotas de chuva caem como se fossem pedras no parabrisa, as luzes do letreiros passam como vultos coloridos. Entro numa curva mais fechada ouço o barulho dos pneus cantando, são quatro e vinte da madrugada me sinto vivo testando o limite da vida, o medo de morrer traz essa sensação é como se fosse uma droga. Pode parecer um pouco estranho tenho que concordar... Suicida ? não, com certeza não ! Quero viver! O problema é que ultimamente não tenho vivido, na verdade eu tenho é sobrevivido ....Morbidez ? vida vazia ? Solidão ? Talvez... Somos uma geração de solitários que se escondem das relações.
Continuo dirigindo meu pensamento vai longe e de longe eu vejo o semáforo ficar no laranja, não vou conseguir passar a tempo frear também não dá, se algum dia você estiver a cento e quarenta por hora numa pista escorregadia com chuva, lhe dou um conselho não tente freiar bruscamente! O semáforo ficou no vermelho o jeito foi fechar os olhos e deixar o carro passar "... It's my show I must go With my soul..." Kings of leon continua tocando, foi por pouco ainda bem que ninguém passou por aquele cruzamento. Diminuo a velocidade, já tive a minha dose dessa droga por hoje!
Permaneço dirigindo bem devagar sem um destino certo, a chuva passou, Na porta da Boate vejo umas prostitutas me dando sinal, penso até em parar, uma transa até que iria cair bem mas não era de sexo que eu precisava e sim de paz de espírito, chego na orla o céu já está clareando, daqui a pouco o Sol nasce. Estaciono o carro, tiro meus sapatos folgo minha gravata dobro a calça sento na areia acendo um cigarro e vejo o Sol nascer. Um novo dia vem ai, quem sabe uma nova vida ?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Escolhas

Acho incrível como pequenas ações podem para sempre mudar ou influênciar nossas vidas.
Desde o momento em quê acordamos somos submetidos a fazer escolhas. "Levanto agora ou durmo mais quinze minutos?"
Parece ser uma decisão simples, insignificante, mas selecionar umas dessas opções pode ser sua salvação ou então a sua morte. Você pode conhecer o grande amor de sua vida ou ficar só para sempre... Tudo isso depende de escolhas. Digamos que eu resolva dormir mais quinze minutos. Ao invés de levantar às seis eu me levanto às seis e quinze, sigo a minha rotina de todas as manhãs, faço minha higiene e me arrumo, penso se tomo café ou faço um lanche quando chegar na faculdade pra compensar os quinze minutos de atraso. Resolvo tomar café em casa mesmo e saio. Chego no ponto de ônibus quinze minutos mais tarde do que o normal, espero até o coletivo chegar enquanto isso vou tomando varias outras decisões: Se eu pego dois transportes, pois estou atrasado, ou se espero o que vai direto e me arrisco a não chegar a tempo, se me sento no banco ou fico de pé, se vou andando pra outro ponto que tem mais opções...
Enfim eu entro no ônibus que vai direto. No caminho eu passo pelo outro ônibus, o que eu deveria ter pego se eu não tivesse dormido um pouco a mais, ele tinha acabado de se envolver num acidente grave eu poderia estar nesse coletivo, poderia ter acontecido algo de grave comigo se eu não resolvesse dormir quinze minutos a mais ou então se eu saisse sem tomar café. Uma pequena decisão de dormir mais um pouco e tomar café em casa pode ter salvado a minha vida!
Ainda continuando, Digamos que, por causa desses quinze minutos eu chegue atrasado na faculdade, perco a prova ! E já era a prova final (que merda!!!) perco a disciplina. Talvez se eu tivesse escolhido ir andando pra outro ponto que tinha mais opções ou pegasse dois ônibus eu chegaria a tempo pra fazer a prova. Por causa desses quinze minutos de soneca ou por eu não ter ido pro outro ponto, ou por não ter pegados os dois coletivos eu vou ter que fazer essa disciplina novamente. No outro semestre na hora da matrícula eu tenho que decidir se repito agora a matéria ou se deixo pra depois. Escolhi repetir logo. Conheci "Fulana" que pegava essa disciplina também. Talvez se eu não tivesse dormido quinze minutos a mais, não ter tomado café em casa, se eu não esperasse o ônibus que vai direto e chegasse atrasado, perdesse a prova, perdesse essa disciplina, Se eu não tivesse escolhido repetir logo essa matéria Talvez eu não conhecesse "Fulana" não me casaria com ela, não teria filhos...
Tudo isso por causa de simples escolhas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Encontros e desencontros

Estação de metrô Ueno, eu estava fascinado. Tudo era muito novo, estava em Tóquio à pouco tempo, as luzes, as cores, os letreiros, aquele mar de gente, tudo era fantástico! Eu fotografava tudo! Nada passava despercebido às minhas lentes. E ao ve-la não seria diferente.
Um metrô se aproximava, é a linha Tozai que liga Nakano até Nishi-Funabashi, também conhecida com a linha azul, preparei minha câmera e comecei a fotografar escolhi alguns ângulos e fiz fotos interessantes, comecei a capturar os rosto das pessoas que iam e vinha, entravam e saiam dos vagões eram todos tão iguais todos com a mesma face alguns alegres outros tristes, rostos cansadas, olhos puxados cabelos coloridos, cabelos pretos, jovens, velhos... Então minha câmera encontrou-a me observando. Parei de fotografar abaixei a minha Nikon, ficamos nos olhando, eu do lado de fora e ela dentro do vagão, uma janela nos separava, eu fiquei apaixonado ! Tudo parou eu não enxergava mais nada além dela na minha frente, no meio de tantas pessoas aparentemente iguais ela era tão diferente! seus olhos me cativavam . Ela era linda! Sorriu para mim eu não tinha certeza se era realmente pra mim mas mesmo assim sorri de volta, peguei minha câmera e fiz o seu retrato, logo depois ela acenou dando tchau, o metrô começou a se mover fui em direção ao vagão corri ao lado da porta batendo com força pra que elas se abrissem, o que eu sabia ser impossível, mas eu tinha que tentar, as portas não se abriam, o metrô ficava cada vez mais rápido logo eu não iria mais conseguir acompanhar. Ela ficava me olhando torcendo pra que acontecesse algo, meus músculos entraram em fadiga... Parei de correr, o metrô continuou... Ainda pude ver seus pequenos olhos me fitando pela janela. Tudo que me restou foi um retrato de um rosto tão igual e ao mesmo tempo tão diferente entre trinta e cinco milhões de outros rostos em Tóquio.