segunda-feira, 29 de novembro de 2010

... então Leandro chega em casa. Entra pela porta da frente como sempre costumava entrar, sua filha vem correndo para lhe beijar, ele se abaixa para que ela o alcance, ela o abraça e o beija sua esposa vem logo depois e lhe dá um beijo e diz que está preparando o jantar. Leandro tira o blazer e folga a gravata, prepara uma dose de uísque e coloca uma música "...água de beber bica no quintal sede de viver tudo, e o esquecer era tão normal que o tempo parava tinha sabiá tinha laranjeira, tinha manga rosa. tinha o Sol da manhã..." Gostava de Milton. Vai para varanda senta em sua confortável poltrona acende um cigarro e fica admirando o cair da noite, as estrelas que vão aparecendo...Era um homem satisfeito, era um homem feliz...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Vou sair para ver o Sol que já vai brilhar
Vou sentir o cheiro que vem do mar
Me envolver na maresia
Ouvir o barulho das ondas
Sair da escuridão
Das sombras
Um ciclo se fecha
Para que outro se inicie
Assim é a vida
De ciclos em ciclos
A noite virá novamente
Com seus medos suas incertezas
Mas logo depois vem o Sol
Que já vai brilhar.

domingo, 10 de outubro de 2010

Distância

Da varanda do vigéssimo sétimo andar Marina se debruça sobre o parapeito e fica olhando o movimento na rua, já é madrugada, mas a cidade não para, não tem como parar, é New York, é Manhattan é um organismo vivo as pessoas vem e vão os carros passam, as luzes se misturam... Marina gosta de ficar na varanda vendo todo esse movimento, daqui de cima tudo toma uma proporção minúscula, vendo tudo de tão longe, tão pequeno, Marina acredita que sua vida é mais relevante. Acende mais um cigarro e bebe mais um gole de vinho, o pensamento voa... Volta a se lembrar de Carlos, tem muito tempo que não o vê. A última vez foi no aeroporto antes dela viajar para os Estados Unidos, ele não veio se despedir dela, tinham rompido ele ainda estava magoado com ela, mas veio até o aeroporto olhou-a de longe, ela implorou com os olhos para que ele viesse até ela dar pelo menos um abraço, ou faze-la desistir. Bastava uma palavra ! "fique" e ela não pensaria duas vezes. Mas ele não veio. Marina embarcou com um aperto no coração.
Três anos se passaram e eles nunca mais se falaram, Marina entra na sala e pega o telefone volta pra varanda e liga para Carlos. Ela sempre liga mas nunca fala.
-Alô. Alô ? Alôôô ?
Marina desliga, não tem coragem de falar. Toma coragem e liga mais uma vez, mas novamente fica muda.
-Marina é você ? eu sei que é você.
-Eu te amo
Marina desliga o telefone e começa a chorar sente a dor do arrependimento, sente a dor da culpa de ter machucado alguém que nem ela própria sabia que amava tanto. Jogou o telefone no chão para descontar a raiva e chorou mais ainda, chorou até não ter mais lágrimas, então foi o céu que começou a chorar, Marina lenvantou-se do chão e começou a ver a chuva que caia, gostava de ver os pingos os relâmpagos e o barulho da água até acreditou que sentiu o cheiro de terra molhada... Gostava da chuva sentia-se mais calma quando chovia acendeu mais um cigarro e esperou o dia amanhecer. Voltaria hoje mesmo.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O tempo é cruel

Cada minuto, cada segundo que passa é um periodo a menos em nossa vida

O relógio vai passando as horas, o calendário os dias, e nossas vidas se vão...

Dia-a-dia

Otimizar

Criar

Aproveitar

Crescer

Trabalhar

Correria

Dormir pouco

stress

dinheiro

O que se ganha com o passar do tempo ?

ou melhor, o que se perde com o passar do tempo?

Vida.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Motoboy

São Paulo, mais de 200 mil motoboys circulam na cidade, JP como era conhecido João Pedro era mais só um deles.
- E ai Marilia, tem alguma entrega pra mim ?
- Entra na fila JP.
- Quebra esse galho pra mim meu bem, to precisando fazer grana, to na correria!
- Senta lá com seus colegas e espera que já aparece alguma entrega pra você.
JP sentou ao lado dos colegas, mas não participou da conversa como sempre fizera, estava pensativo a cabeça estava em outro lugar, pensava no filho pequeno, precisava de dinheiro para poder pagar as despesas da criança. Não ajudava Andréa, mãe da criança, já tinha 2 meses.
- JP ! Encomenda lá no centro em 30 minutos consegue chegar? - Perguntou Marilia
- Demorô ! chego lá em 20 minutos passe ai o endereço gata.
O trânsito estava um inferno, mas JP era habilidoso passava voando nos corredores com sua CG, quanto mais entregas ele fizesse, mais dinheiro no fim do dia. No final do túnel tomou uma fechada de um carro quase que foi ao chão, não pensou duas vezes emparelhou do lado do carro e quebrou o retrovisor, saiu em disparada, já estava acostumado a fazer isso ainda se gabava com os amigos de quebrar quatro ou cinco retrovisores por dia.
No fim do expediente, JP e alguns colegas se encontravam em algum boteco, para conversar e beber uma cerveja.
- E ai JP fez quanto hoje ? perguntou Sandro
- Putz mano, hoje tava embassado, só fiz 40 conto e você ?
- Fiz 70 conto truta !
- Então a conta hoje é tua né mano ?
- Ah não fode né JP !!
- Mano, vou lhe dá idéia tô na pior truta, tô ai na correria, mas a grana não ta rolando
- JP vou da uma fita da hora pra você, é o seguinte truta pega uma vela de carro, deixa só na cerâmica coloca na boca depois joga no vidro do carro, não fica nada do vidro truta ! daí é só meter a mão no que tiver dentro do carro.
-Porra Sandro tu ta ligado, que eu não faço essas ondas mano!
-Realmente. Isso é coisa pra homem, seu cuzão !
-Pronto! falou o bicho solto da CG ! fica na tua mano e vamos nessa.
- E ai ? vamo carburar um fininho ?
-Vamo nessa que eu tô na secura.
Sandro e João Pedro, sairam do boteco e foram num pico mais sossegado fumar um baseado. Chegando no pico o assunto continuou.
-JP, falando sério agora mano, vamo fazer um corre truta, tu pilota a moto eu vou na garupa nois vai olhando os carros das madames, e quando parar no farol, é só encostar no lado que eu quebro o vidro e pego a bolsa mano, daí é só nois se sair saindo a milhão truta !
- Passa o bagulho mano! vai fumar todo ?
- E ai vai amarelar ?
-Vamo na moto de quem ?
- Isso ai já ta no adianto mano, já tem uma moto boa na fita com placa fria.
João Pedro ficou pensativo deu duas tragadas fortes no baseado e olhava para o nada. Precisava de dinheiro, mas não era ladrão. Sua família apesar de simples era uma familia de pessoas honestas, pensou no seu filho, não queria que se filho passase a vergonha de ter um pai ladrão.
-E ai mano? não tem erro truta é só ficar ligeiro - insistia sandro.
-Mano, não dá pra mim não.
João Pedro foi para casa, foi dormir. Amanhã começaria tudo outra vez.
Acordou cedo, antes de o Sol nascer como era de costume. Foi até o quarto e deu um beijo em sua mãe e seguiu pra firma queria pegar muitas entregas hoje, precisava de dinheiro. No meio de uma das entregas parou na casa de Andréa, para ver seu filho pegou o bebê no colo que sorriu ao ver o rosto do pai. Ficou muito feliz, era a primeira vez que o moleque sorria para ele. Deixou uma grana, pegou sua moto e foi embora. No caminho, na marginal Pinheiros ,tomou uma fechada de um carro e bateu no fundo de outro. Caiu feio no chão, varias pessoas pararam e foram tentar dar socorro, mas era desnecessário. João Pedro já estava morto.


P.S. Segundo dados da Companhia de Engenharia de trânsito de São Paulo, pelos menos 2 motoboys morrem por dia em acidentes de trânsito.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Seis de junho 1944 , o exército alemão ainda dominava a França, é verdade que estavam enfraquecidos, depois da derrota contra o exército vermelho na batalha de Estalingrado. Mas precisavamos expulsar de vez a sombra do nazismo. Estavamos atravessando o canal da Mancha com destino as praias da Normandia, especificamente a praia de Omaha, era a operação Overload, era o Dia "D".
Eu era Tenente do exército americano responsável por um pelotão de trinta e seis soldados na maioria garotos que não tinha nem idéia do que iriam encontrar pela frente, eu já estava acostumado, participei de muitas batalhas e vim de uma familia com tradição no exército, meu avô foi soldado e o meu pai morreu na 1ª guerra . Estava chegando a hora do desembarque, olhei para os meus soldados e pude ver o medo nos olhos deles, alguns rezavam, pediam proteção, os mais experientes se preparavam, senti remorso por saber que metade deles não sobreviveriam... O Barco Higgins como era conhecido se aproxima da praia e começa a disparar os primeiro tiros contra as barricadas alemãs, eram 2 metralhadoras ponto 30 abrindo fogo, mas o arsenal alemão também estava bem preparado. Logo que desceram as rampas de desembarque dos nossos barcos, recebemos de frente tiros de canhão de 155 mm que era dos franceses capturados pelos nazistas, era catastrófico, cada tiro que eles davam morriam cinco ou seis, perdi grande parte do pelotão só no desembarque. Alguns de nós conseguiamos desembarcar, mas tinhamos ainda que enfrentar os tiros de metralhadora, minas terrestres, os arames farpados...
Estavamos em campo aberto sem nada para nos proteger, os nazistas estavam nas trincheiras em posições estratégicas éramos alvos faceis para os seguidores do Fürer, corri para trás de um desses obstáculos contra veiculos que eles mesmo colocaram, era uma forma de me proteger das balas, atirava sem direção, a confusão era tanta que eu nem sabia onde estava o inimigo , eu via meus soldados terem as pernas decepadas pelas minas, atingidos pelas balas, me sentia inútil vendo eles morrerem, não havia nada que eu pudesse fazer. O Soldado Oliver conseguiu uma boa posição e abria fogo contra os nazistas me dando retaguarda para sair, corri para o lado dele para de lá também poder atirar, consegui acertar dois nazistas que estava numa metralhadora. Nossos homens conseguiam aos poucos avançar, logo na frente o cabo Owen conseguiu tomar uma trincheira ao jogar uma granada, era um local para nos protegermos e de lá poderiamos nos organizar olhei para o lado e reconheci o soldado Kent, tinha pisado numa mina estava com a perna estraçalhada ele agonizava pedindo minha ajuda, eu tinha que tentar salva-lo corri até perto dele e me joguei na areia pra não me tornar um alvo fácil, dava pra ouvir os zunidos das balas passando puxei ele para um lugar seguro , mas além da mina ele tinha sido atingindo por balas ele não resistiu.
Os alemães estavam nos massacrando com suas metralhadoras MG 42, tinhamos que resistir, conseguimos alcançar a trincheira, um alemão ainda agonizava eu fiz questão de executa-lo. Ficamos nessa trincheira, dava pra ver na praia os carros blindados desembarcando, logo os reforços chegariam...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Vidas em jogo

Estava mais quente que o de costume em Coloma, Califórnia. Estavamos no ano de mil oitocentos e quarenta e nove, em plena corrida do ouro, eu já estava aqui a pouco mais de dois meses. Cheguei aqui como milhares de outras pessoas em busca de uma vida melhor. Mas não consegui nada além de algumas pepitas, que trocando por dinheiro não cobre nem metade das despesas. Escuto batidas na porta, deve ser a Sra. Norman cobrando o aluguel.
- John ! Eu sei que vc está ai ! abra essa porta John! Eu quero meu dinheiro hoje, ou vou lhe despejar!
Eu sempre fingia que não estava e pulava a janela dos fundos, aprendi que o melhor a fazer nessa situação era evitar um encontro com ela. No fundo eu sabia que a Sra. Norman não ia me despejar, ela gostava de mim, na verdade gostava do meu pau afinal eu dei um trato na velha que estava solitária desde que seu marido a deixou... Mas estava ficando uma situação insuportável. Eu tinha que arranjar dinhero. Fui andando pela rua dos fundos passei na frente da quitanda e roubei algumas frutas já tinha uma semana que eu só me alimentava de frutas. Entrei no bar  vou me arriscar no poker.
- John ! Querido John! Quanto tempo ! como vai você?
Alicia, uma das prostitutas que comi vem se insinuando, com seu bafo de cachaça misturado com fumaça de cigarro e seu perfume vagabundo, achando que estou com grana como da primeira vez que vim aqui. O lugar esta infestado delas, sempre sugando o dinheiro dos forasteiras desavisados, era uma espelunca, bêbados sujos dormindo nas mesas, ladrões, pistoleiros, prostitutas, uísque vagabundo...
- Nem vem Alicia estou duro
- E que porra você vem fazer aqui então ?
- Não é de sua conta sua piranha.
- Cai fora seu babaca.
Fui na mesa perto do balcão. Frank jogava poker com Willian, Thomas e Jake. Willian era um cara perigoso dizem que já matou dezesseis pessoas com seu revolver Colt e eu quase fui o décimo sétimo por causa de umas pepitas numa mina, fui salvo por um Xerife
-Eu vou entrar - eu disse
-Tem dinheiro ? -perguntou Willian enquanto dava as cartas ele era o diller da vez
-Tenho quinze Dólares
-Isso aqui não é jogo de criança tem que ter colhões!
-Foda-se - respondi e sentei na mesa.
Todos colocaram cinco dólares no pote de apostas. As cartas foram dadas, cada um olhou sua mão e começou as trocas de cartas.
-Frank, vai querer trocar quantas ? - perguntou Willian
- Só uma.
- E você Thomas ? continuou Willian
- quero três.
- Jake ?
- Três também
- John ?
- Duas cartas - respondi
- Eu vou trocar só uma e vamos as apostas - falou Willian.
- Eu aposto mais dois dólares- falou Frank
-Eu estou fora - disse Thomas
-Eu cubro - falou Jake
- John ?
- Eu cubro e ainda aposto mais dois dólares.
- Bom, eu cubro tudo e ainda coloco mais dez dólares.- continuou Willian acendendo um cigarro.
Frank e Jake sairam, só ficamos eu e Willian. Para continuar eu tinha que pagar mais dez dólares. Eu sabia que ele tinha uma mão boa, talvez um "Flush" ou um "Four", mas eu estava confiante.
-Eu só tenho mais seis dólares, mas ponho a disposição a minha cabeça pra você colocar uma bala, sei que você está doido por isso - eu disse enquanto bebia uma dose de uísque. Mas se eu ganhar, além de levar o dinheiro, quem leva um tiro é você.
- Garoto, você bem sabe que eu adoraria lhe encher de balas - Willian falou já tirando seu revolver da cintura e colocando sobre a mesa, todos do bar se aglomeraram ao redor da mesa.
- Garoto você está blefando. Mas pela sua coragem eu vou lhe dá mais uma chance de sair vivo dessa mesa, basta levantar - continuou.
- Eu mantenho minha aposta, e ai vai pagar pra ver?
Willian me olhou nos os olhos na esperança de sentir minha insegurança bebeu mais um dose de uisque deu mais um trago no cigarro.
- Eu saio. Você venceu garoto - disse enquanto mostrava sua mão... Ele tinha uma "trinca", para eu ganhar bastava uma "sequencia"
Como ele não pagou para ver eu não sou obrigado a mostrar minha mão ele nunca vai saber se era blefe. Aluguel e alimentação garantidos por mais um tempo

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Por um segundo eu esqueço essa situação, olho ao meu redor e vejo o que restou, pratos e copos quebrados no chão, uma garrafa de vinho com um pouco menos da metade. Vejo tudo que está ficando para trás.
-Seu miserável ! Eu não aguento mais você ! Pode voltar para sua vidinha medíocre!
Eu desperto do meu transe momentâneo com as ofensas e o copo que ela jogou no chão. Lucia não para de me insultar, eu fico calado só ouvindo ela despejar toda sua fúria em mim. Num divorcio, o que mais machuca não é a separação fisica do casal, mas sim as coisas que se quebram, os sonhos que se desmancham, os laços que se rompem, os sentimentos que se perdem...
Eu não reajo, tudo já se perdeu, não há mais o que fazer. Lucia vai para o quarto fazer as malas, levar o que der, eu pego a garrafa de vinho bebo direto no gargalo depois atiro a garrafa na parede, os cacos de vidro se espalham. Vou para janela acendo um cigarro, pelo reflexo do vidro eu vejo Lucia passando carregando sua mala de viagem. Ela para na porta e diz:
-Cláudio eu não quero te ver nunca mais, eu te odeio !!
-Um dia você disse que me amava.
-Isso foi há muito tempo...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

De todas as coisas que tive, as que mais me valeram, das que mais sinto falta, são as coisas que não se pode tocar, são as coisas que não estão ao alcance de nossas mãos, são as coisas que não fazem perte do mundo da matéria...