terça-feira, 26 de outubro de 2010

Vou sair para ver o Sol que já vai brilhar
Vou sentir o cheiro que vem do mar
Me envolver na maresia
Ouvir o barulho das ondas
Sair da escuridão
Das sombras
Um ciclo se fecha
Para que outro se inicie
Assim é a vida
De ciclos em ciclos
A noite virá novamente
Com seus medos suas incertezas
Mas logo depois vem o Sol
Que já vai brilhar.

domingo, 10 de outubro de 2010

Distância

Da varanda do vigéssimo sétimo andar Marina se debruça sobre o parapeito e fica olhando o movimento na rua, já é madrugada, mas a cidade não para, não tem como parar, é New York, é Manhattan é um organismo vivo as pessoas vem e vão os carros passam, as luzes se misturam... Marina gosta de ficar na varanda vendo todo esse movimento, daqui de cima tudo toma uma proporção minúscula, vendo tudo de tão longe, tão pequeno, Marina acredita que sua vida é mais relevante. Acende mais um cigarro e bebe mais um gole de vinho, o pensamento voa... Volta a se lembrar de Carlos, tem muito tempo que não o vê. A última vez foi no aeroporto antes dela viajar para os Estados Unidos, ele não veio se despedir dela, tinham rompido ele ainda estava magoado com ela, mas veio até o aeroporto olhou-a de longe, ela implorou com os olhos para que ele viesse até ela dar pelo menos um abraço, ou faze-la desistir. Bastava uma palavra ! "fique" e ela não pensaria duas vezes. Mas ele não veio. Marina embarcou com um aperto no coração.
Três anos se passaram e eles nunca mais se falaram, Marina entra na sala e pega o telefone volta pra varanda e liga para Carlos. Ela sempre liga mas nunca fala.
-Alô. Alô ? Alôôô ?
Marina desliga, não tem coragem de falar. Toma coragem e liga mais uma vez, mas novamente fica muda.
-Marina é você ? eu sei que é você.
-Eu te amo
Marina desliga o telefone e começa a chorar sente a dor do arrependimento, sente a dor da culpa de ter machucado alguém que nem ela própria sabia que amava tanto. Jogou o telefone no chão para descontar a raiva e chorou mais ainda, chorou até não ter mais lágrimas, então foi o céu que começou a chorar, Marina lenvantou-se do chão e começou a ver a chuva que caia, gostava de ver os pingos os relâmpagos e o barulho da água até acreditou que sentiu o cheiro de terra molhada... Gostava da chuva sentia-se mais calma quando chovia acendeu mais um cigarro e esperou o dia amanhecer. Voltaria hoje mesmo.